domingo, 26 de abril de 2026

Recomendação #2 - The Peggies - Hanabi

Olá tudo bem, aqui quem fala é Wesllei caro viajante e pessoa que está lendo este post, e com mais um post maravilhoso neste blog, e desta vez falando de um videoclipe e música muito queria por mim e dessa vez eu não trago um álbum mas uma recomendação/análise, decidi voltar mais uma vez falando de música japonesa, de praxe ne? Porque é o que tenho mais ouvido nos últimos anos, conhecendo bandas novas grupos novos e etc.
The Peggies é uma banda que eu amo e tá longe de ser uma banda nova, e essa música também tá longe de ser uma música que chegou agora na minha vida mas, é o que temos pra hoje amores (kkkkk).

Acolhedora, ambígua e espacial, Auto intitulada HANABI e lançada em 2020, é uma das músicas com teor mais melancólicos da banda e meio nostálgica e ambiental e acolhedora, é uma das minhas músicas favoritas da vida (pelo menos ainda é), e videoclipe também, e estarei fazendo uma análise poética do videoclipe indo desde estilo, narrativa e montagem e um pouco de experiências pessoais.
Um detalhe a se apontar também e o aspect ratio do vídeoclipe 4:3 e 16:9 que muda conforme as cenas, quase como se evocasse uma mistura de tempos, um passado e um presente na tela, é bastante comum isso em videoclipes mas aqui ele comunica muito sobre essa mistura entre passado e presente de alguma forma, como se ambos se confundisse em tela.
Hanabi diferente da grande maioria dos videoclipes da The Peggies, (quiçá todos, porque tô pensando aqui enquanto escrevo de cabeça em algum videoclipe onde a banda não é protagonista ou personagem do videoclipe), é um dos poucos (o único) que temos apenas a presença da vocalista Kitazawa Yuuho em vídeo, e ela como compositora da grande maioria das músicas deve ter feito essa jogada mais “solística” de protagonizar o videoclipe sozinha, enfim, questões de bastidores não pesquisadas.

Wesllei do futuro: Concluí comigo mesmo ao escrever essa análise e parei pra pensar que este talvez seja o único videoclipe em que aparece apenas ela e nenhuma das membros da banda, fiquei até curioso em saber se era o último videoclipe da banda, mas vi que saíram outros depois desse. 

Tá mas vamos pra análise, é um videoclipe protagonizado pela nossa diva e ela está belíssima nas imagens e é isso aí que importa, tanto nas estáticas fotográficas do videoclipe quanto nas imagens captadas em espaços abertos, é um videoclipe que dá espaço para muito ambiente aberto, natureza, não tem muita locação é tudo muito naturalista ali, e aqui entra um dos pontos mais interessantes desse videoclipe, essa fotografia naturalista em uma música que aborda solidão e desilusão e despedida.
Esse naturalismo presente no videoclipe pode ser lido de diversas formas, mas a que eu mais gosto de pensar é a de que aqui os espaços comunicam assim como uma obra slice of life, o tempo todo é videoclipe reforça lugares vazios com quase nenhuma pessoa e quando temos pessoas elas estão distantes, como se o que importasse fossem o lugar, e realmente o que importa aqui são os lugares e de alguma forma até o trajeto também, de toda forma o clipe quer que você enxergue os espaços e a lentidão deles.
A montagem do clipe que se dá a partir da mistura de tempo ela se passa quase toda durante o día e em pedaços da noite entrelaçados na edição, e aí mesmo tempo momentos com imagens estáticas, com fotografias daquele lugar e da Yuuho quase sempre sorridente olhando pra câmera e isso representa muito essa parada do tempo, o congelamento dos espaços como se eternizasse as imagens, como se o tempo ali parasse e depois continuasse em planos mais lentos, a única coisa rápida aqui são os trens que são quase sempre mesclado entre cortes secos e mesmo eles as vezes aparecem em show motivo, é um clipe que é quase todo feito á partir de corte seco, mas são corte que dão espaço pra visualizar o que está posto em tela.
Todas essas imagens dão espacial pra representar uma solidão e mudança interpessoal no videoclipe, mas que também se dá também como uma forma de respiro porque temos planos (tempo de cena) que são longos, essa personagem da Yuuho ela vagueia como uma forma de escape dessa realidade dura, e a cidade é encarada como um espaço de acolhimento onde isso é tão simbólico que o próprio trem que a mesma pega se torna mais um personagem do videoclipe. E falando de Trems, o trem encaixa perfeitamente na narrativa do videoclipe, considerando um trem como uma meio de locomoção que transporta vidas, um espaço de passagem e de mudança, é possível fazer inúmeras análises de interpretações sobre o trem como um ícone de significados, nesse caso aqui eu vejo muito o trem como uma espécie de representativo de mudança, e de passagem para a personagem, o videoclipe de inicia com o próprio trem passando nos trilhos, e finaliza com uma cena onde o mesmo passa por detrás da Yuuho, isso é muito significante pois se formos observar a recorrência em que esse objeto aparece no videoclipe é como se estivesse gritando na tela, que as vidas passam, que aquilo ali perto, dentro ou distante faz parte de você, ao mesmo tempo que tudo isso acontece a personagem da Yuuho interage com o expectador, a câmera nesse clipe é enxergada dando espaço ao sentido acolhedor do videoclipe, ela se diverte olhando para câmera quase sempre como se tivesse te chamando para aquele lugar ali sozinha, nos diferentes tempos do dia, manhã, tarde e noite.
Enquanto esse acolhimento é representado na figura dela, temos a figura dos fogos de artifício e do sol no clipe que soam como semelhantes. Os fogos de artificio que não só aparecem no segundo take levemente apagados, seguidos do trem que já aparece na primeira cena, faz vários matchs de cenas. Principalmente na cena antes do refrão onde é filmado por debaixo a passagem do trem e aparece o sol da manhã, e você deve estar se perguntando, ué. Mas porque o sol sendo que o sol ? Então, eu diria que o sol é um símbolo de luz, calor e impacto visual, assim como fogos de artificio, e o significado do nome da música é fogo de artificio (Hanabi) cujos kanjis significam flor de luz, ou seja, de alguma forma o som também se enquadraria como esse feixe de luz, onde o trem são as vidas e o sol se abrindo pela manhã é também uma forma de repensar a vida, então não temos apenas um videoclipe que poeticamente é triste, pelo menos eu enxergo como uma forma de dizer, olha viva, a luz do sol pode ser enxergada como um fogo de artificio surgindo em meio as vidas passando (trem).
Pensando no videoclipe como um todo essa coisa inicial do sol bate muito com a cena onde a Yuuho acende os fogos, meio que simbolicamente como uma forma de celebrar a vida, e olha que cenas belíssimas que esbanjam brilho e felicidade, parece que a mesma está ali se divertindo e ela olha para a tela como se estivesse olhando pro espectador e compartilhado um momento de felicidade, isso também é muito simbólico, e acolhedor, e quem diria que nessa mesma cena de fundo o trem também passa, eles pensaram em tudo, eu ficava antes me perguntando porque que essas cenas me soavam tão semelhantes. Mas só de refletir sobre como essa divisão entre luz e sombra no clipe é muito bem articulada concluso que são pra causar essas sensações de familiaridade, ao mesmo tempo que eu sentia que era tudo muito solitário ali eu ficava me perguntando porque de me sentir tão acolhido com esse clipe cheio de luz e prédios e poucas pessoas? E então cheguei à uma conclusão. A Pandemia.

Como dito antes, o videoclipe saiu em agosto de 2020 e estávamos no auge da pandemia de COVID, e isso é muito simbólico até por demais, essa solidão do videoclipe condensa muitas das sensações que muitas pessoas tiveram nessa pandemia, desde a distância, a esperança e a sensação de tempo lento e etc. Talvez tenha sido um plano de contenção da COVID fazer um clipe mais sozinho dela, mas foi uma ideia que deu muito certo com a música, parece que tudo ali foi encaixado perfeitamente e imageticamente eu consigo ver muitas camadas toda vez que penso nele.

Por fim, é um vídeo que ganha mais força ainda mais em sua cena final, uma cena que vem seguida dela com os fogos mas sabendo que é um retorno a imagem da Yuuho com o trem atrás dela em um lugar verde e inerte, aquela pessoa que se movimentou o videoclipe quase todo, finalmente para na cena final em meio a natureza e olha para o expectador, a mesma apenas está olhando para a tela e com um leve olhar choroso se concentra contra a tela e a música e o videoclipe se encerram com uma transição suave, como uma espécie de despedida, mas dando um espaço também pra chorar em momentos duros, talvez o fato de terminar com ela olhando possa soar triste mas ao meu ver é ambíguo é quase um abraço, porque não sabemos o que está por vir.

E essa foi minha análise singela sobre a música Hanabi do The peggies espero que tenham curtido, comentem aí se gostaram, se alguém algum dia ler, as vezes eu gosto de viajar nas ideias e faço posts diferentes e eu amo como essa música mexe comigo.
Minha amiguinha Su, deve estar lendo isso aqui é uma das pessoas que me inspirei pra escrever sobre, talvez algumas de nossas conversas tenham surgido dessa análise (e lá vou eu falar de novo da Su), ela tadinha virando pauta do post, mas é também uma forma de dizer que tenho uma amizade querida e muito simbólica ouvi muito essa música com ela em momentos depois da pandemia, minha pouca memória não me faz lembrar se ouvi na pandemia em si, mas são trocas incríveis que faço sobre música com uma amiga querida e queria expressar isso, mas é isso valeu Su.

2 comentários: