Olá tudo bem, aqui quem fala é Wesllei caro viajante e pessoa que está lendo
este post, e com mais um post maravilhoso neste blog, e desta vez falando de
um videoclipe e música muito queria por mim e dessa vez eu não trago um álbum
mas uma recomendação/análise, decidi voltar mais uma vez falando de música
japonesa, de praxe ne? Porque é o que tenho mais ouvido nos últimos anos,
conhecendo bandas novas grupos novos e etc.
The Peggies é uma banda que eu amo e tá longe de ser uma banda nova, e essa
música também tá longe de ser uma música que chegou agora na minha vida mas, é
o que temos pra hoje amores (kkkkk).
Acolhedora, ambígua e espacial, Auto intitulada HANABI e lançada em 2020, é uma
das músicas com teor mais melancólicos da banda e meio nostálgica e ambiental
e acolhedora, é uma das minhas músicas favoritas da vida (pelo menos ainda é),
e videoclipe também, e estarei fazendo uma análise poética do videoclipe indo
desde estilo, narrativa e montagem e um pouco de experiências
pessoais.
Um detalhe a se apontar também e o aspect ratio do vídeoclipe 4:3 e 16:9 que
muda conforme as cenas, quase como se evocasse uma mistura de tempos, um
passado e um presente na tela, é bastante comum isso em videoclipes mas aqui
ele comunica muito sobre essa mistura entre passado e presente de alguma
forma, como se ambos se confundisse em tela.
Hanabi diferente da grande maioria dos videoclipes da The Peggies, (quiçá
todos, porque tô pensando aqui enquanto escrevo de cabeça em algum videoclipe
onde a banda não é protagonista ou personagem do videoclipe), é um dos poucos
(o único) que temos apenas a presença da vocalista Kitazawa Yuuho em vídeo, e
ela como compositora da grande maioria das músicas deve ter feito essa jogada
mais “solística” de protagonizar o videoclipe sozinha, enfim, questões de
bastidores não pesquisadas.
Wesllei do futuro: Concluí comigo mesmo ao escrever essa análise e
parei pra pensar que este talvez seja o único videoclipe em que aparece apenas
ela e nenhuma das membros da banda, fiquei até curioso em saber se era o
último videoclipe da banda, mas vi que saíram outros depois desse.
Tá mas vamos pra análise, é um videoclipe protagonizado pela nossa diva e ela
está belíssima nas imagens e é isso aí que importa, tanto nas estáticas
fotográficas do videoclipe quanto nas imagens captadas em espaços abertos, é
um videoclipe que dá espaço para muito ambiente aberto, natureza, não tem
muita locação é tudo muito naturalista ali, e aqui entra um dos pontos mais
interessantes desse videoclipe, essa fotografia naturalista em uma música que
aborda solidão e desilusão e despedida.
Esse naturalismo presente no videoclipe pode ser lido de diversas formas, mas
a que eu mais gosto de pensar é a de que aqui os espaços comunicam assim como
uma obra slice of life, o tempo todo é videoclipe reforça lugares vazios com
quase nenhuma pessoa e quando temos pessoas elas estão distantes, como se o
que importasse fossem o lugar, e realmente o que importa aqui são os lugares e
de alguma forma até o trajeto também, de toda forma o clipe quer que você
enxergue os espaços e a lentidão deles.
A montagem do clipe que se dá a partir da mistura de tempo ela se passa quase
toda durante o día e em pedaços da noite entrelaçados na edição, e aí mesmo
tempo momentos com imagens estáticas, com fotografias daquele lugar e da Yuuho
quase sempre sorridente olhando pra câmera e isso representa muito essa parada
do tempo, o congelamento dos espaços como se eternizasse as imagens, como se o
tempo ali parasse e depois continuasse em planos mais lentos, a única coisa
rápida aqui são os trens que são quase sempre mesclado entre cortes secos e
mesmo eles as vezes aparecem em show motivo, é um clipe que é quase todo feito
á partir de corte seco, mas são corte que dão espaço pra visualizar o que está
posto em tela.
Todas essas imagens dão espacial pra representar uma solidão e mudança
interpessoal no videoclipe, mas que também se dá também como uma forma de
respiro porque temos planos (tempo de cena) que são longos, essa personagem da
Yuuho ela vagueia como uma forma de escape dessa realidade dura, e a cidade é
encarada como um espaço de acolhimento onde isso é tão simbólico que o próprio
trem que a mesma pega se torna mais um personagem do videoclipe. E falando de
Trems, o trem encaixa perfeitamente na narrativa do videoclipe, considerando
um trem como uma meio de locomoção que transporta vidas, um espaço de passagem
e de mudança, é possível fazer inúmeras análises de interpretações sobre o
trem como um ícone de significados, nesse caso aqui eu vejo muito o trem como
uma espécie de representativo de mudança, e de passagem para a personagem, o
videoclipe de inicia com o próprio trem passando nos trilhos, e finaliza com
uma cena onde o mesmo passa por detrás da Yuuho, isso é muito significante
pois se formos observar a recorrência em que esse objeto aparece no videoclipe
é como se estivesse gritando na tela, que as vidas passam, que aquilo ali
perto, dentro ou distante faz parte de você, ao mesmo tempo que tudo isso
acontece a personagem da Yuuho interage com o expectador, a câmera nesse clipe
é enxergada dando espaço ao sentido acolhedor do videoclipe, ela se diverte
olhando para câmera quase sempre como se tivesse te chamando para aquele lugar
ali sozinha, nos diferentes tempos do dia, manhã, tarde e noite.
Enquanto esse acolhimento é representado na figura dela, temos a figura dos
fogos de artifício e do sol no clipe que soam como semelhantes. Os fogos de
artificio que não só aparecem no segundo take levemente apagados, seguidos do
trem que já aparece na primeira cena, faz vários matchs de cenas.
Principalmente na cena antes do refrão onde é filmado por debaixo a passagem
do trem e aparece o sol da manhã, e você deve estar se perguntando, ué. Mas
porque o sol sendo que o sol ? Então, eu diria que o sol é um símbolo de luz,
calor e impacto visual, assim como fogos de artificio, e o significado do nome
da música é fogo de artificio (Hanabi) cujos kanjis significam flor de luz, ou
seja, de alguma forma o som também se enquadraria como esse feixe de luz, onde
o trem são as vidas e o sol se abrindo pela manhã é também uma forma de
repensar a vida, então não temos apenas um videoclipe que poeticamente é
triste, pelo menos eu enxergo como uma forma de dizer, olha viva, a luz do sol
pode ser enxergada como um fogo de artificio surgindo em meio as vidas
passando (trem).
Pensando no videoclipe como um todo essa coisa inicial do sol bate muito com a
cena onde a Yuuho acende os fogos, meio que simbolicamente como uma forma de
celebrar a vida, e olha que cenas belíssimas que esbanjam brilho e felicidade,
parece que a mesma está ali se divertindo e ela olha para a tela como se
estivesse olhando pro espectador e compartilhado um momento de felicidade,
isso também é muito simbólico, e acolhedor, e quem diria que nessa mesma cena
de fundo o trem também passa, eles pensaram em tudo, eu ficava antes me
perguntando porque que essas cenas me soavam tão semelhantes. Mas só de
refletir sobre como essa divisão entre luz e sombra no clipe é muito bem
articulada concluso que são pra causar essas sensações de familiaridade, ao
mesmo tempo que eu sentia que era tudo muito solitário ali eu ficava me
perguntando porque de me sentir tão acolhido com esse clipe cheio de luz e
prédios e poucas pessoas? E então cheguei à uma conclusão. A Pandemia.
Como dito antes, o videoclipe saiu em agosto de 2020 e estávamos no auge da
pandemia de COVID, e isso é muito simbólico até por demais, essa solidão do
videoclipe condensa muitas das sensações que muitas pessoas tiveram nessa
pandemia, desde a distância, a esperança e a sensação de tempo lento e etc.
Talvez tenha sido um plano de contenção da COVID fazer um clipe mais sozinho
dela, mas foi uma ideia que deu muito certo com a música, parece que tudo ali
foi encaixado perfeitamente e imageticamente eu consigo ver muitas camadas
toda vez que penso nele.
Por fim, é um vídeo que ganha mais força ainda mais em sua cena final, uma
cena que vem seguida dela com os fogos mas sabendo que é um retorno a imagem
da Yuuho com o trem atrás dela em um lugar verde e inerte, aquela pessoa que
se movimentou o videoclipe quase todo, finalmente para na cena final em meio a
natureza e olha para o expectador, a mesma apenas está olhando para a tela e
com um leve olhar choroso se concentra contra a tela e a música e o videoclipe
se encerram com uma transição suave, como uma espécie de despedida, mas dando
um espaço também pra chorar em momentos duros, talvez o fato de terminar com
ela olhando possa soar triste mas ao meu ver é ambíguo é quase um abraço,
porque não sabemos o que está por vir.
E essa foi minha análise singela sobre a música Hanabi do The peggies espero
que tenham curtido, comentem aí se gostaram, se alguém algum dia ler, as vezes
eu gosto de viajar nas ideias e faço posts diferentes e eu amo como essa
música mexe comigo.
Minha amiguinha Su, deve estar lendo isso aqui é uma das pessoas que me
inspirei pra escrever sobre, talvez algumas de nossas conversas tenham surgido
dessa análise (e lá vou eu falar de novo da Su), ela tadinha virando pauta do
post, mas é também uma forma de dizer que tenho uma amizade querida e muito
simbólica ouvi muito essa música com ela em momentos depois da pandemia, minha
pouca memória não me faz lembrar se ouvi na pandemia em si, mas são trocas
incríveis que faço sobre música com uma amiga querida e queria expressar isso,
mas é isso valeu Su.
Mais uma vez aqui, lendo uma análise feita com muito carinho!
ResponderExcluirAgradeçooooooo \o/
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